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Estética

O termo estética é introduzido por Baumgarten em 1750, mas muito antes dele existiram algumas investigações que parecem ter algo haver com a estética. Desde os escritos de Platão e Aristóteles alguns problemas se repetem na abordagem da arte e do belo.

Problemas centrais da estética

1. ArtexNatureza
a) Arte como imitação: Vê a arte como uma cópia da natureza, o representante principal dessa opinião é Platão.
b) Arte como criação: Ideal romântico do gênio, onde a obra de arte é criada do nada, Shelling.
c) Arte como construção: meio termode Kant

2. ArtexHomem
a) Arte como conhecimento: Aristóteles, Schelin, Hegel, Croce viam um valor teorético na Arte.
b) Arte como atividade prática: Aristóteles. Enfase na produção - poiesis.
c) Arte como sensibilidade: Platão considerava a Arte como refexo dos sentidos em um sentido depreciativo, mas em Kant e outros filósofos romanticos a Arte é tida como o ponto máximo da sensibilidade humana.

3. Função da Arte
a) Arte como educação: Platão, Aristóteles, patricios, escolásticos, Vico, Hegel e Shusterman.
b) Arte como expressão: Vê a arte como forma final da vivência - Dewey
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O google é o ultimo Deus que nos resta. Onisciente, onipresente e onipotente em sites de todo mundo.
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on the road I
Não tenho a menor idéia de onde fica a Br-03. Mas ontem a noite lá pelas 2:00 da manhã após ter tomado um copo de leite morno pra ver se o sono vinha, essa dúvida me assaltou. Então pensei que se um dia eu fosse produzir um Road Movie seria "na Br-3...".

on the road II
Já repararam que Road Movies estão cheios de metáforas óbvias e imbecis. Todos Eles. De Telma & Louise a Crossroads. E eles só funcionam se os passageiros do conversível azul forem do mesmo sexo: duas amigas, pai e filho que não têm uma boa relação, mãe e filha na mesma situação, pessoas prestes a deixar o passado para trás e aprender uma grande lição dada pela estrada da vida. No caso dos ocupantes do possante serem de sexos opostos as lições aprendidas não tem ligação alguma com laços fraternais, uma vez que o casal geralmente está sendo perseguido por um casal de psicopatas apaixonados, ou são eles próprios os psicopatas apaixonados.
Se a vida for um road movie, pra você, a grande lição: Nunca dê carona ao Brad Pitt ou Juliet Lewis ou pro Tony Tornado, se um dia você achar "a Br-03...".
on the road III
Acabo de descobrir que "a Br-03..." não existe. "E a gente morre..."
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Desculpem a leviandade de meu post, mas é uma piada boa

AMIGOS ESTRANHOS E UM GATO

Um sádico, um masoquista, um assassino, um necrófilo,
um zoófilo e um pirómano estão sentados num banco de
jardim, sem saber como ocupar o tempo. Diz o zoófilo:

- Vamos pegar um gato!

Diz o sádico:

- Vamos pegar um gato e torturá-lo!

- Diz o assassino:

- Vamos pegar um gato, torturá-lo e matá-lo!

Diz o necrófilo:

- Vamos pegar um gato, torturá-lo, matá-lo e violá-lo!

Diz o pirómano:

- Vamos pegar um gato, torturá-lo, matá-lo, violá-lo e atear-lhe fogo!

Diz o masoquista:

- Miau!
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Jorginho, olha que matéria legal

HS Youth Culture, Popular Culture and Aesthetics Dozent: PD Dr. Wilfried Raussert office hours : Tuesdays 16-16.45 room 2011 E-Mail: w.raussert@gmx.de class syllabus April 16thsession

1: Introduction April 23rdsession

2: Theories of Pop Culture and Youth CultureJohn Storey.
"What is Popular Culture" in Cultural Theory and Popular Culture (Athens: U of Georgia Press, 1993) 1-19, Rene Kolloge, "Theories of Culture, Popular Culture and Popular Music" in The Times They are A-Changin': The Evolution of Rock Music and Youth Cultures (Frankfurt: Peter Lang, 1999) 29-55, Jonathan Epstein "Generation X, Youth Culture, and Identity" in Youth Culture: Identity in a Postmodern World (Malden: Blackwell Publishers, 1998) 1-23. April 30thsession

3:American Pop Culture Hegemony
Berndt Ostendorf, "Why Is American Popular Culture so Popular? A View from Europe" Amerikastudien /American Studies 46.3 (2001): 339- 66. Richard Wagnleitner, "No Commodity Is Quite So Strange As This Thing Called Cultural Exchange": The Foreign Politics of American Pop Culture Amerikastudien /American Studies 46.3 (2001): 441-70. May 7thsession

4: Aesthetics and Popular Culture/ Negotiating "High" and "Low" Emerson's "The Poet" ,Walt Whitman's "Song of Myself", John Dewey's Art of Experience May 14thsession

5: A Historical View of Youth and Media Culture
Schultze, Anker, Bratt, Dancing in the Dark: Youth, Popular Culture and the Electronic Media (Grand Rapids: Eermans Publishing Company, 1991) 14-45. May 21stsession

6: Youth and Culture , Young Intellectuals and the 1920s
Thomas Bender, New York Intellect: A History of Intellectual Life in New York City (New York: Knopf, 1987, 206-61. Randolph Bourne, "Transnational America" May 28thsession

7: Jazz Aesthetics, Generational Gaps and the Harlem Renaissance
Langston Hughes' Not Without LaughterStephan Richter Ästhetik des Jazz (excerpts)June 4thsession

8: Bebop, Beat Generation and Youthful Counterculture
Theodore Roszak The Making of a Counterculture (New York : Doubleday, 1969) Allen Ginsberg (poems)

9: Beat Generation
Theodore Roszak, The Making of a CountercultureJack Kerouac The Subterraneans LeRoi Jones (poems) June 18thsession

10: Young Rebellion, Rock Music and Utopianism
Lennon and Dylanselection of rock lyrics and Wane Hampton Guerilla Minstrels(Knoxville: U of Tennessee P, 1986) 10-59, 149-200 June 25thsession

11+12:.Youth, Video Culture and MTVSchultze et al."Rocking to Images: The Music Television Revolution"
Dancing in the Dark 178-210, analysis of video clips July 2ndsession 13: Rap, African American Culture and Youth MovementsTricia Rose, Black Noise: Rap Music and Black Culture in Contemporary America (Hanover: Wesleyan P, 1994) 1-20. Rap texts July 9thsession 14: Conclusion
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O mistério das figuras

Elementar meu caro Washington, creio que desvenei o mistério das figuras que hora abrem, hora não. Acho que vocês tão colocando figuras do yahoo grupos e, como vocês já devem saber, esse site precisa de senha para entrar. Portanto creio que a figura só abre em computadores que acabaram de entrar no site. Se quizerem por essas figuras, vocês tem que publica-las em um endereço de acesso livre.
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"Ritmo, expressividade das próprias notas, altura: estes são os três elementos materiais e corporais da música rock, que, proponho eu, constituirão a sua essência, e que poderão formar a base de uma genuína estética do rock. Adorno pedia a emancipação da dissonância; uma estética do rock requer uma emancipação do corpo, uma emancipação da heteronomia. Uma tal emancipação é igualmente requerida pela maioria da música centrada na voz ou na dança, mais do que nas composições ou na beleza formal livremente ajuizada pela mente. De facto, a preocupação com a beleza formal é apenas apropriada a uma pequena parte da música no mundo."
Bruce Baugh

Esse é meu novo ídolo

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Já que Pedro agendou o tema "motoqueiros" no blog do PET, venho por meio dessas demonstrar, de maneira cabal vale ressaltar, quem é Paulo...

Full Throttle na veia mano!!!!


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Bem pessoal acabo de voltar do primeiro dia do I seminário internacional de estudos midiáticos Bahia Quebec . Hoje teve 3 palestrantes discutindo sobre Cultura visual. Benjamin, Giovandro e uma canadese. O seminário é a semana toda e espero ver vocês no auditório. Eu indico a apresentação do professor Wilson Gomes e todo dia de quinta feira (onde o tema é preferencialmente música).
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só testando como bota figuras e aproveitando pra relembrar que dia 5/11 tem matrix no cinema

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A 1002 noite

Nos confins das arábias conta-se uma lenda maravilhosa e, ao mesmo tempo, terrível. Conta-se que em um castelo inacessível, no alto da montanha mais alta de todo o mundo, vivia um senhor que causava um grandíssimo terror a todos seus inimigos. Dizem que ele mandara construir, no interior do seu castelo, um jardim de delicias repleto de toda espécie de flores e frutas e rios onde corriam mel, leite e vinho, além de água. Nesse paraíso viviam os seus soldados em companhia das houris, jovens de incontestável beleza. Seus soldados - os assassinos - eram homens que o obedeciam ao ponto que se cometerem suicídio a um mero sinal, o que causava um temor incontrolável a todos os inimigos de Alloadin e seus assassinos.
Outra lenda conta que, em uma noite quente, um desses jovens acordou e se viu acorrentado ao chão em um pátio escuro, sem flores, sem frutas e sem as houris. Desesperado implorarou a Alloadin que o levasse de volta ao paraíso, mas lhe fora dito que ele caira em desgraça com os profetas e que a única maneira de voltar ao jardim das delícias seria cumprir uma pequena missão para seu amo. Se ele morresse na empresa, bem, se ele morresse iria para o paraíso de Allah que é igual, ou até melhor, que os jardins do castelo. Conta, ainda, outra lenda que toda manhã um eunuco cuidadosamente drogava centenas jovens acorrentados em fila em um pátio cinzento e sujo e que a noite, sob o luar, eles riam e cantavam a sorte de participar do exército do grande Alloadin.
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Uma visão bem romantica de arte, pelo menos dá textos bonitinhos
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O ARTISTA PERFEITO

‘’Não me lembro bem se é em Les donnés immediates de la conscience
que Bergson fala do grande artista que seria aquele que tivesse, não
só um, mas todos os sentidos libertos do utilitarismo. O pintor tem
mais ou menos liberto a visão, o músico o sentido da audição.

Mas aquele que estivesse completamente livre de soluções
convencionais e utilitárias veria o mundo, ou melhor, teria o mundo
de um modo como jamais artista nenhum o teve. Quer dizer, totalmente
e na sua verdadeira realidade.

Isso poderia levantar uma hipótese. Suponhamos que se pudesse
educar, ou não educar, uma criança, tomando como base a determinação
de conservar-lhe os sentidos alertas e puros. Que se não lhe dessem
dados, mas que os seus dados fossem apenas os imediatos. Que ela não
se habituasse. Suponhamos ainda que, com o fim de mantê-la em campo
sensato que lhe servisse de dominador comum com os outros homens lhe
permitisse certa estabilidade indispensável para viver, dessem-lhe
umas poucas noções utilitárias: mas utilitárias para serem
utilitárias, comida para ser comida, bebida para ser bebida. E no
resto a conservasse livre. Suponhamos então que essa criança se
tornasse artista e fosse artista.

O primeiro problema surge: seria ela artista pelo simples fato dessa
educação? É de crer que não, arte não é pureza, é purificação, arte
não é liberdade, é libertação.

Essa criança seria artista do momento em que descobrisse que há um
símbolo utilitário na coisa pura que nos é dada. Ela faria, no
entanto, arte se seguisse o caminho inverso ao dos artistas que não
passam por essa impossível educação: ela unificaria as coisas do
mundo não pelo seu lado de maravilhosa gratuidade mas pelo seu lado
de utilidade maravilhosa. Ela se libertaria. Se pintasse, é provável
que chegasse à seguinte fórmula explicativa da natureza: pintaria um
homem comendo o céu. Nós, os utilitários, ainda conseguimos manter o
céu fora de nosso alcance. Apesar de Chagall. É uma das poucas
coisas das quais ainda não servimos. Essa criança, tornada homem
artista, teria pois os mesmos problemas fundamentais de alquimia.

Mas se homem, esse único, não fosse artista – não sentisse a
necessidade de transformar as coisas para lhes dar uma realidade
maior – não sentisse enfim necessidade de arte, então quando, então
quando ele falasse nos espantaria. Ele diria as coisas com a pureza
de quem viu que o rei está nu. Nós o consultaríamos como cegos e
surdos que querem ver e ouvir. Teríamos um profeta, não do futuro,
mas do presente. Não teríamos um artista. Teríamos um inocente. E
arte, imagino, não é inocência, é tornar-se inocente.

Talvez seja por isso que as exposições de desenhos de crianças, por
mais belas, não são propriamente exposições de arte. E é por isso
que se as crianças pintam como Picasso, talvez seja muito mais justo
louvar Picasso que as crianças. A criança é inocente, Picasso
tornou-se inocente.’’

Clarice Lispector, em A descoberta do Mundo

Eu gostei. =)
Mas quero discussão.
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Fichamento: Idea: a evolução do conceito de belo
Panofsky, Erwin
Idea: a evolução do conceito de belo / Erwin Panofsky ; tradução Paulo Neves. – São Paulo : Martins Fontes, 1994. – (Coleção Tópicos)


Introdução


Uma quantidade significativa de séculos é comumente colocada sob o mesmo rótulo, de Idade Média. A Idade Média parece ser tratada como uma época sem identidade alguma parecendo se tratar de um intervalo situado entre duas outras épocas, essas sim significativas. Classificamos como medieval o período entre a queda do Império Romano do Ocidente e a posterior queda de Constantinopla, mas entre essas duas datas, separadas quase por mil anos, temos a ascensão, queda e miscigenação de inúmeros povos com seus respectivos modos de vida.
A Igreja Católica Apostólica Romana, estruturada no fim do grande Império Romano, conseguiu forjar uma unidade incrível em todo continente europeu sob a Religião Católica, sua língua oficial, o latim, e seu texto sagrado, a Bíblia. A adoção do Latim como língua oficial entre os doutos possibilitou um grande intercâmbio de idéias na Europa, instaurando um certo “estilo medieval” de pensar seja na filosofia, a escolástica, ou nas artes plástica. Esta foi, talvez, a ultima vez que tal unidade aconteceria.
Um aspecto interessante deste “pensamento medieval” é sua característica semiótica com grande profusão de símbolos, alegorias e índices para exprimir uma idéia, seja nas artes como na filosofia. Tal aspecto da arte medieval parece ser uma herança da leitura do texto sagrado, mas também de algumas outras influências. Já no cristianismo primitivo a utilização de símbolos e alegorias é comum entre os cristãos. Na “arte de catacumba”, representante de uma religião marginalizada pelo império romano, é fácil entender os motivos de tal escolha. Esconder a figura do Salvador em um pão ou peixe costumou salvar muitas vidas dos adeptos do cristianismo, para a tristeza dos leões.
Entretanto, se nossa visão da Idade Média é envolta em sombras e nevoas tão densas quanto em um filme gótico, a imagem do universo nos escritos medievais parece-nos sublime e otimista. A mentalidade medieval, reforçada pelas idéias de Plotino e seu neoplatonismo, tendia a ver o mundo como reflexo e imagem da beleza ideal. Tal beleza existia na imagem de Deus e a busca por ela é a chave central do pensamento católico.

Porém não se pode pensar a Idade Média apenas como uma época de negação moralista do belo. É certo que há uma certa desconfiança da beleza exterior, mas quando o filósofo medieval fala de beleza ele não está se referindo apenas a conceitos abstratos. Há, sem dúvida, uma preocupação com a beleza inteligível. Para nós, partidários de uma arte pós-Renascimento, que deslocou o eixo de tais preocupações, as preferências medievais podem parecer estranhas. Porém nem o Renascimento, Impressionismo, Expressionismo, ou qualquer outra “estilo” negou totalmente os paradigmas medievais.
O objetivo deste trabalho é tentar demonstrar, através da pintura, as propriedades semióticas da arte medieval, seu caráter textual, tal como seu objetivo de transmitir uma mensagem, sem, entretanto, esquecer que outros aspectos que influenciam o “artista” medieval na concepção de sua “obra”. Serão avaliadas as preferências estéticas da Idade Média tal como sua concepção de Belo e a posterior influência do pensamento medieval na arte da Europa moderna.

Concepção da ars medieval

Falta à Idade Média uma teoria das belas artes como produção de obras que têm como objetivo a fruição estética. Não era utilizada a divisão, comum hoje, entre as belas artes e as artes úteis (a técnica), mas apenas divisões, para nós secundarias, entre as artes mais nobres e as manuais. As artes liberais, dignas de um homem nascido livre, são superiores por tratarem de um material racional sem se sujeitar o corpo, menos nobre que a alma. Assim pois, se considerava a poesia como uma das artes mais nobre, logo abaixo da filosofia e da ciência.
A construção de uma teoria medieval da arte é um assunto que demandou muitas discursões entre os filósofos medievais, que se discordaram em inúmeros pontos, também concordaram em alguns. Na Idade Média, a arte seria tratada como um conhecimento de regras através das quais é possível produzir algo. Arte é a capacidade de produzir, não tendo muita importância se este algo é uma espada ou uma escultura, e nesse aspecto é quase igualada a uma ciência. A obra de arte não é encarada como uma expressão do artista, artifex, mas apenas um objeto construído.

“Construção tanto de uma não como de uma casa, tanto de um martelo como de uma miniatura; artifex são o ferrador, o teórico, o poeta, o pintor e o tosador de ovelha”. (ECO 1989:132)

O belo medieval

A concepção do belo na Idade Média, em muito influenciado em muito pelo neoplatonismo, percebe o belo como um símbolo, insuficiente, como uma manifestação de uma manifestação superior. A beleza visível representa apenas um reflexo ralo de uma beleza absoluta, a causa primeira, Deus. Beleza essa que não podemos venerar nas obras de arte, mas somente através dela. O espírito simbólico da arte medieval a distingue profundamente das manifestações artísticas da antiguidade clássica. O pensamento medieval concedia ao problema da arte um interesse bem mais circunscrito à ética, problema do bom, que à estética, problema do belo.
Mesmo com a grande influência posterior do aristotelismo no século XIII na obra de Agostinho se dá a contemplar uma beleza que reside antes no espírito do artista, que a transfere para a matéria bruta, sendo, assim, um mediador entre Deus e o mundo material.

“Pois tudo que é belo e que as almas transmitem às mãos artistas provém dessa Beleza situada além das almas e à qual minha alma aspira noite e dia”. (PANOFSKY 1994, 36)

“Quando a Escolástica fala de beleza, ela a entende como um atributo de Deus. A metafísica da beleza (a de Plotino, por exemplo) e a teoria da arte não têm nenhuma relação entre si. O homem ‘moderno’ supervaloriza exageradamente a arte porque perdeu o sentido da beleza inteligível que possuíam o neoplatonismo e a Idade Média (...) Trata-se, aqui, de uma beleza da qual a estética ão tem nenhuma idéia”.(CURTIS 1948, 12.3)

A concepção platônica de Idéias como entes independentes seria uma concepção inaceitável para o cristianismo. Entretanto, Agostinho teve apenas de substituir o espírito impessoal das Idéias do neoplatonismo pela concepção de Deus, para estabelecer uma concepção aceitável para o pensamento medieval. A concepção aristotélica de Idéia como uma “forma interior”, e não como algo tanscedente, era, tão pouco satisfatória para o cristianismo quando a concepção platônica de Idéia como uma entidade per si.

Arte X Natureza

A arte e a natureza são postas em paralelo, uma vez que as duas têm o mesmo regimento interno (imitar as idéias), mas não tem nenhuma relação entre si. A arte não imita o que a natureza cria, a arte imita a natureza não no sentido de copiar suas formas, mas sim copiar sua operação, de ser cópia de uma idéia, isso quer dizer que uma rosa não é pintada segundo a natureza, mas segundo uma imagem encerrada na alma Na Idade a obra de arte não resulta da natureza, um aspecto caro ao século XIX, mas a projeção de uma idéia no mundo material.
Essa concepção platônica não foi consensual, entretanto, em toda Idade Média. Para Santo Tomás há uma grande diferença ontológica que distingue os organismo da natureza das obras de arte. A matéria utilizada para plasmar uma obra de arte não é pura potência, no sentido que uma idéia o é, mas já subst6ancia. Um Mestre medieval que produza um estátua de bronze não esta modificando a essência do bronze, mas apenas operando uma modificação externa.

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Reflexão II


É bem sabido, e bem óbvio, que a arte egípcia tem como principal finalidade e principal suporte os ritos religiosos. As principais obras, hoje consideradas como obras de arte, do antigo Egito se situam em tumbas e templos, sarcófagos dotados de grandes murais pintados contando a história do nobre cadáver tinham como principal objetivo a realização de um rito especifico e não a beleza tão perseguida hoje em dia. Essa imagem não seria, enfim, um fim nela mesma, mas um meio de vinculo entre a vida e a morte.
A imagem egípcia, primeira mente esculpida e depois pintada, funcionava, então, como mediadora entre os vivos e os mortos, entre uma sociedade dos sujeitos visíveis e tácteis e uma sociedade das forças invisíveis. É notável a estreita ligação notada entre a morte e as obras artísticas na história da arte ocidental. Sem contar os Egípcios, temos cadáveres pintados na idade do bronze, nos solos de Atai, crânios decorados com pedras preciosas, túmulos reais de Micenas, com suas mascaras reais de ouro, necrópoles etruscas, catacumbas cristãs, necrópoles merovingias no século IV...
É notável também que com a crescente importância do valor estético da obra de arte a imagem perdeu sua função mágica.
“Hoje em dia, já não existem monumentos funerários, nem estátuas, nem afrescos nas câmaras mortuárias. Quanto menos maldição, menos conjuração. Com as antigas cerimônias do luto e com a liturgia pública dos funerais, desaparecem de nossas cidades carnavais, festas e mascaradas. Retirem os esqueletos das vistas, que sobra para ver? Um fluxo de imagens, sem pretexto nem conseqüências, a que daremos o nome de visual”. (DEBRAY, Vida e morte da imagem – uma história da imagem no ocidente p. 35-36)
Seria a morte da morte a morte da imagem?

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ENTRE A ÉTICA E A ESTÉTICA

A ética e a estética mantêm um relacionamento conturbado. Essa confusão parece acontecer porque as duas ocupam seu espaço em um mesmo território, a esfera das atividades humanas. A grande duvida se localiza na definição qual disciplina é mais ampla, ou seja, qual disciplina abarca a outra. No Tratactus de Wittgenstein lemos que “a ética e a estética são uma só e mesma coisa”, entretanto não devemos interpretar essa identidade como uma igualdade, mas principalmente como uma similaridade de campo de trabalho. Perceber que há divergências entre a ética e a estética é importante para não se correr o risco de se considerar um prazer individual sem qualquer fundamentação para sua práxis ou um prazer totalmente moralizado e, portanto, totalmente relativo à cultura.
Desde Platão, existe no pensamento ocidental sempre teve a tendência de identificação do belo com o bom. Nos escritos de Platão, a essência do belo que é definida segundo valores meta estéticos, metafísicos, como se diante da questão do belo, a resposta possível fosse da ordem de um juízo moral. Por este caminho, o belo é enxergado enquanto manifestação da bondade. A estética estaria, então, subordinada à ética.
Entretanto, como afirma Parret, desde que Baumgarten fundou a estética, em 1750, assistimos a uma onda de estetização do problema filosófico. A estética não só conquista sua autonomia como passa a ocupar um papel de legitimadora da ética. “Assistimos hoje em dia a uma nova onda de estetização no pós-modernismo. É, naturalmente, a ética em primeiro lugar que se torna filha da estética” (PARRET).
Partindo daí, Kant em sua Critica do juízo afirma que o julgamento "estético é independente e não pode estar a serviço dos fins alheios a ele", sendo uma "finalidade sem fim". O belo deixa de ser uma encarnação do bom, mas chega a ser a norma do moralmente bom. Essa concepção da experiência estética cai, porém, em um individualismo típico da época. Não podemos nos abster da sociabilidade do estético e pensarmos o julgamento estético como um “ser por ele mesmo”.
Para isso, a noção de senso comum definida por Parret é muito importante.
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Fichamento
Prolegômenos a uma estética do rock


Possibilidade de uma estética do rock - O rock possui padrões próprios que não devem ser avaliados por uma estética que tem como objeto a música erudita. O rock faz parte de uma tradição por demais distinta da musica de concerto européia e, por isso, tem preocupações muito diferentes. Qualquer tentativa de analisar o rock tendo em vista os problemas postos pela música erudita é, no mínimo, perda de tempo.
Enquanto a estética tradicional está mais preocupadas com aspectos formais, de composição, uma estética do rock deve estar preocupada com o modo como o ouvinte sente a música – vide Dewey e Shusterman. Enquanto a música de concerto está voltada para a composição, o rock – fazendo juz a sua herença do blues e, mais longicuamente, da música africana – está voltado para a performance e o efeito pretendido, antes de ser racional, é estritamente corporal.

Estética de Kant –

Estética tradicional e rock – Em uma análise tradicional, provavelmente a maioria das canções de rock seriam desqualificadas por sua pobresa melódica e harmônica. Entretanto uma análise assim é míope, no sentido que não analisa o que está, realmente, em jogo no rock. É comum na academia procurar legitimar o rock quanto este flerta com a música erudita – Yes, Gênesis e até Beatles de certa maneira – mas essa legitimação parece servir menos ao propósito de legitimar o rock que legitimar a música erudita, na medida que confere valor a algo que se apróxima dela.

Estética do Rock – Uma estética do rock, então, não deve partir das preocupações kantianas, mas sim virar de cabeça para baixo suas afirmações.
Ritmo – Música feita para dançar.
Performance – Maior espaço para a performance em relação à composição. Performer x Virtuosi. “É a maneira em que os tons são tocados e não os tons em si mesmos, que faz com que a música seja bem-sucedida”.
Volume - No rock o volume é usado como matéria formal.
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Fichamento
Rhythm: Race, sex, and the body
Simon Frith – Performing Rites


Parece ser um consenso que a musicalidade do rock tem haver com o corpo e, em última instância, com sexo. Entretanto para Frith essa correspondência não tem existem por propriedades musicológicas ou seja, instrisecas à música, mas sim por uma correspondência ideológica que foi processada na história do pensamento ocidental.
Música séria e música ligeira- Há uma diferença notável entre a recepção de uma música erudita (séria) e a de uma música popular, principalmente no que diz respeito ao comportamento do ouvinte. Na apreciação da música erudita há uma anulação do corpo do ouvinte enquanto em um concerto de rock há exatamente a espectativa de uma resposta física da audiência tipo levantar das cadeiras e dançar. Entretanto não se pode restringir a oposição entre música séria/música ligeira a oposição entre música erudita e popular. No próprio domínio da música popular essa oposição acontece. Quando uma banda de jazz (ou rock) faz um show em um teatro, por exemplo, está chamando para si a aura de “música séria”.
O porquê da divisão – Para Frith, Essa dicotomia corpo/mente data da divisão do trabalho na revolução industrial, mas para mim ela data da oposição entre mundo das idéias e mundo real de Platão, que foi reaproveitada pelo catolicismo.
África/Corpo – É comum na tradição romântica associar o corpo com as ditas culturas tradicionais, em especial a africana. Essa associação foi tomada de diversas maneiras desde o condecendente mito do bom selvagem até os manifestos mais apocalípticos descrevendo o regresso causado pela excessiva importância do ritmo. As duas opções apresentam um preconceito de achar que a música, e a cultura, africana estariam em um estágio anterior à européia.
Analisando mais profundamente a distinção entre a música africana e européia, não se pode mander as oposições entre corpo e mente e primitivo e desenvolvido. A música africana pode ser tão complexa quanto a música européia, mas complexa de acordo com suas próprias convenções. Saber quando tocar uma nota é tão importante quanto qual nota tocar.
Música africana – A música africana tem preocupações diferentes da música européia. Além da óbvia emergência do ritmo em relação à melodia e a harmonia, a música africana apresenta algumas deferências marcantes em relação à européia. Nas culturas africanas música e comunicação parecem estar mais juntas, além da tradicional comunicação por tambores, muitas das linguagens africanas apresentam modificações de pitch e vibrato.
A relação entre composição e performance também apresenta diferenças. Na música européia os papéis estão bem divididos com uma importância muito maior para a primeira. Na música africana o a ação pincipal é a performance e o por em ação é um ponto chave. A improvisação é um ato social, um jogo, diferente da apresentação da musica européia. A diferenças entre a música européia e africana são mais uma diferença entre duas ideologias do ouvir.
Conclusões: É obvio que a equação entre ritmo e sexo é mais um produto da alta cultura européia que da prática musical africana. O que se descreve como sentir a música popular é uma experiência tanto corporal quanto mental.
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Bem, para animar nosso blog, vou postar alguns fichamentos meus

Cap 11 – Musica e tecnologia
Simon Frith – Performing Rites on the value of popular music



Tecnologia: Geralmente é relacionada ao modo como a música é gravada e reproduzida.
Três estágio da musica (quanto à tecnologia)
Primeiro estágio: Folk: A música é guardada no corpo e no instrumentos musicais - na memória e é passada de pai para filho – e só pode ser ouvida pela performance. A música tem uma característica ritualística e está integrada nas prática sócias do dia-a-dia.
Segundo estágio: Art: A música é guardada por meio de notação, mas ainda só pode ser “resgatada por meio da performane”. A música passa a ser deslocada do dia-a-dia e tende a ter propriedades trancendentais e sacras. Surge o oficio de músico, como artista, em contraste com os não músicos. Produtor X receptor.
Teceiro estágio: Pop: Música é gravada em fitas, CDs... Isso transforma a experiência da música, que passa a poder ser ouvida em qualquer hora e em qualquer lugar.

Eventos artificiais: A criação de ‘performances ideais” com pedaços de performances reais faz surgir eventos musicais impossíveis de serem realizados ao vivo. O ao vivo não é essencial ao significado da música. No próprio CD há uma performance embutida.

A principal questão aqui não é a mudança do espaço musical (da sala de concerto para o estúdio), mas sim a mudança do tempo na experiência da música. A tecnologia liberou a música de sua performance e abre dezenas de possibilidades expresivas (como o remix).

Novo tipo de ouvinte: Mais participante no evento musical, já que pode decidir o que quer e o que não quer ouvir.
Interferência na produção: Nós temos maior contato com a música através do CD que em performances e isso interfere na hora de compor. Formação de estilos cosmopolitas

Inplicações da tecnologia na experiência da música
Frith chega a dividir a história da música em antes e depois de Thomas Edison

Música por toda parte: A música não é mais um evento especial, mas sim cotidiano (toca fitas no carro, musica na Tv etc). A música se tornou um objeto transportável.
Quantidade: Ouvimos muito mais música que qualquer outra parte da história da humanidade. A música é usual e está espalhada por diversos lugares (TV, cinema, walkman, rádio no carro).
A experiência da música foi individualizada: A música não é mais, necessariamente, parte de um afeto coletivo. Comodidade. O gosto musical é intimamente ligado a identidade pessoal.
Entretanto a tecnologia tem afetado não só onde ouvimos música, mas como a ouvimos também. Podemos dar stop em uma música e voltar diversas vezes para análise por exemplo.
Nós certamente ouvimos música como um objeto fragmentado e instável.

Questões suscitadas
Questão da Origem: Hoje, qualquer música, de qualquer fonte, pode ser reaproveitada. Todo música passa a ter um valor igual enquanto signo.
Questão do Autor: Múltiplos autores (Produtor, engenheiro de som etc)
Questão da música como objeto: Fetichisação
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Vamos começar a usar o blog ok?
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