"O medo, assim como todas as outras coisas em que acreditamos, são somente pensamentos, e pensamentos podem ser mudados."
Louise Hay
O medo gera angústia, cria fantasmas, nos paralisa, desqualifica nossos desejos e tira a consciência dos nossos direitos. Foi por isso que Louise Hay colocou neste livro os conceitos que considera fundamentais para a felicidade, e criou as meditações e as afirmações que você poderá praticar ouvindo o CD. Elas vão ajudar você a se libertar do medo, a adquirir confiança em si mesmo e a assumir uma postura positiva em relação à vida.
Vi esse post no blog de Camilla e resolvi deixar um comentário. Acabou ficando tão grande que achei que podia ser um post. Acho que cabe a discussão!
Sou mais o Forró do Sfrega>
Acho tudo uma bobagem! continuo repetindo o que eu sempre disse: Toda tradição popular que se perde para dar lugar à cultura de massa, tem o destino que merece! Não porque a cultura de massa seja melhor, ou pior... só pelo fato de que se a tradição se perdeu é porque ela já havia perdido o sua verdadeira razão de ser. Manter uma tradição ao custo de lei, decreto ou similar, é mais aberrante do que a invasão da Penteventos ao interior do Nordeste.
A tradição torna-se então um produto tão deslocado do contexto em que ela existiu um dia que dançar forró ou axé ao pé da fogueira já não é mais uma discussão que valha a pena travar.
Acaba tudo sendo só simulação de tradição que deve persistir para atender a uma demanda comercial(Nada contra a demandas comerciais, só me irrita o cinismo).
Prefiro a Penteventos. Axé ao pé de uma fogueira de papel celofane vermelho e amarelo é menos cínico que São João under the law!>
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escrito
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Pedro Fernandes
Estarração
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escrito
por
Camilla Costa
RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa (tomo 3); tradução Contança Marcondes Cesar – Campinas, SP: Papirus, 1994.
4. Mundo do texto e mundo do leitor
Continuando a discussão sobre a relação entre a narrativa historiográfica e a narrativa de ficção, Ricoeur se pergunta o que, da parte da ficção, pode ser considerado contrapartida do passador “real” na história. A princípio, o conceito de realidade do passado pode ser problematizado – “o ter-sido é problemático, na medida exata em que não é observável” (Ricoeur, 1997 p.274). Para resolver esse impasse, Ricoeur apresenta o conceito de representância ou lugar-tenência, querendo dizer que a história.
Deixando de lado a solução da referência, a resposta encontrada é que somente na leitura que a obra literária obtém significância completa, que estaria para a ficção assim como a representância está para a história. A leitura assinala a intercessão entre o mundo do texto e o mundo do leitor, e a significância da obra de ficção procede dessa interseção.
“A que disciplina pertence uma teoria da leitura? À poética? Sim na medida em que a composição da obra regula a leitura; não, na medida em que outros fatores entram em jogo, fatores estes que dependem da espécie de comunicação que tem seu ponto de partida no autor e atravessa a obra para encontrar seu ponde de chegada no leitor. Com efeito, do autor é que parte a estratégia de persuasão que tem como alvo o leitor. É essa estratégia de persuasão que o leitor responde acompanhando a configuração e apropriando-se da proposta do mundo do texto” (Ricoeur, 1997 p.277)
A partir dessa indagação, Ricoeur analisa três momentos, que correspondem a três disciplinas distintas. A estratégia fomentada pelo autor e dirigida para o leitor, a inscrição dessa estratégia na configuração literária e a resposta do leitor.
Da poética à retórica
Desde a Grécia Antiga, a análise poética é uma das estratégias mais utilizadas para analisar os produtos culturais. Baseado na Poética de Aristóteles, esse tipo de estudo foi ganhando alguns contornos de Retórica na medida que considera não só a forma de produção, mas também o ponto de vista do autor, sua intenção, as formas que ele utiliza para persuadir a platéia.
Depois de anos de guerrilha estruturalista pela autonomia do texto, por em evidência o autor pode parecer um tipo de regressão ao não levar em conta a tese da autonomia do estruturalismo. Entretanto essas pesquisas de cunho poético escapa da armadilha do psicologismo do autor ao dar ênfase não no processo de criação da obra, mas às técnicas que fazem da obra comunicável – técnicas essas que podem ser encontradas na própria obra. Não se interessando pela biografia do autor, nem por nada mais que fuja à textualidade da obra, o autor no qual esses estudos está interessado é apenas uma entidade do texto, o autor implicado.
O autor implicado não é o autor empírico e nem uma fantasia deste, mas sim uma entidade textual próxima da noção de estilo. Todo texto tem um autor implicado, mesmo que ele não seja narrado. A fábula sempre é contada por alguém e sempre tem uma certa formatação, uma forma de contar. O apagamento do autor – utilizado em diversas formas de narrativas modernas, tal como na narrativa naturalista e no jornalismo – séria apenas uma técnica retórica como outra qualquer. Da mesma forma que o autor implicado é uma característica textual, todo texto tem também um leitor virtual. Cabe então ao autor (empírico) imaginar esse leitor e municiar seu texto de estratégias para o persuadir.
A literatura moderna, porém, contribui para pensar a fragilidade de um estudo meramente poético da narrativa. A passagem que se deu do romance conduzido por um narrador digno de confiança para uma literatura onde o leitor é deixado a sua própria sorte vem por em foco o papel do leitor. É aí que a retórica centrada no autor revela seu limite. Por tomar para si o ponto de vista do autor, o modo como ele comunica, como ele cria seu leitor, essa abordagem acaba carecendo de uma contrapartida dialética, uma abordagem que demonstre o lugar ativo do leitor na praxis literária.
A retórica entre o texto e seu leitor
Ricoeur começa essa seção exatamente com a imagem da luta entre o leitor e o narrador não digno de confiança, essa afirmação pode levar a crer que a narrativa existe por si só e sua leitura é apenas seu complemento. Ricoeur rejeita terminantemente essa opção ao afirmar que “sem leitor que o acompanhe, não há ato configurante em ação no texto; e sem leitor que se aproprie dele, não há mundo desdobrado diante do texto”. Nessa perspectiva, uma análise que se proponha meramente textual é uma ilusão. No livro Retórica da Leitura, Michael Charles retoma essa mesma impossibilidade ao estudar textos que teorizam sua própria leitura.
O livro começa pela interpretação da primeira estrofe dos Cantos de Maldoror, no qual são colocadas escolhas para o leitor (se deve recuar ou atravessar o livro, perder-se ou não na leitura, ser devorado pelo texto ou saboreá-lo). O leitor é liberado pelo autor, mas suas opções são previamente codificadas. Em outro texto analisado, Adolfo de Benjamin Constant, o autor finge ser apenas o leitor de um pergaminho encontrado por ele. Dessa forma, a leitura já está inscrita no texto, mas a escrita do texto já prevê as leituras futuras.
Para Ricoeur, já a escolha do título do livro é relevante. Não se trata mais de uma retórica da ficção exercida pelo autor implicado, mas de uma retórica da leitura, que oscila entre o texto e o leitor. Porém se trata ainda de uma retórica na medida que os estratagemas estão escritos no texto e é o próprio texto que constrói seu leitor. A leitura não é mais o que o texto prescreve, é ela que revela a estrutura do texto por meio de sua transformação. Cabe ao leitor revelar o inacabamentodo texto, “a eficácia do texto, então, não é diferente de sua fragilidade” (Ricoeur, 1997 p.284). Esse paradoxo coloca a Retórica da leitura no meio do caminho entre uma análise poética e uma análise que institua o ato de ler como instância suprema da leitura.
Fenomenologia e estética da leitura
Em uma perspectiva retórica, o leitor é ao mesmo tempo presa e vítima da estratégia do autor. Para Ricoeur, “requer-se uma outra teoria da leitura, que dê ênfase à resposta do leitor” (Ricoeur, 1997 p.286). Assim, mais que uma retórica, é necessária uma estética do ato de leitura. Essa estética assume duas formas diferentes: com W. Iser, que estuda o efeito produzido sobre o leitor individual e sua resposta, e H. R. Jauss, que estuda a resposta do público no nível de suas expectativas coletivas. Essas duas estéticas, apesar da diferença no foco, se pressupõem mutuamente.
Fenomenologia do Ato de Leitura: A Fenomenologia do ato da leitura têm seu ponto de partida no aspecto inacabado do texto literário. Para Roman Ingarten, o texto é inacabado na medida que oferece “vistas esquemáticas” para que o leitor as “concretize”. O texto seria como uma partitura musical, suscetível a execuções diferentes. Para Ingarten, a obra resulta da interação entre texto e leitor.
W. Iser segue a linha de Ingarten ao achar que o texto é incompleto em sua própria estrutura. Seu conceito mais importante é o de ponto de vista viajante. Para Iser, “ele exprime o duplo fato de que o todo do texto nunca pode ser percebido de uma vez; e que, estando nós mesmo situados no interior do texto literário, viajamos como ele à medida que nossa leitura vai avançando” (Iser apud Ricoeur, 1997 p.288). Iser propõe três dialéticas entre texto e leitor.
Em primeiro lugar, o ato de leitura tende a se tornar, com o romance moderno, uma réplica da estratégia de decepção. A leitura torna-se um drama de concordância discordante, na medida em que os lugares de indeterminação do texto apresentam-se como uma estratégia de frustração do autor. Não é preciso somente figurar a obra, mas lhe dar forma. Essa primeira dialética provoca uma segunda: o trabalho de leitura não revela apenas uma falta de determinabilidade, mas também um excesso de sentido. A busca de coerência pela leitura vela os sentidos possíveis do texto em no sentido vindo da leitura. Uma terceira dialética vem do horizonte da busca dessa coerência, na dialética entre familiaridade e a frustração que se experimenta ao ler um texto. Para Ricoeur, “essas três dialéticas tomadas em conjunto fazem da leitura uma experiência viva” (Ricoeur, 1997 p. 290).
Uma última questão proposta por Ricoeur acerca da Fenomenologia do ato da leitura está na suposta simetria entre o papel de autor e leitor implicado. Para Ricoeur, essa simetria é enganosa na medida que o autor real se apaga no autor implicado, enquanto o leitor implicado ganha corpo no leitor real. É do leitor real que trata uma Fenomenologia do ato de leitura.
Estética da Recepção: O objetivo primeiro da Estética da Recepção não foi completar uma teoria fenomenológica da leitura, mas somente renovar a história da literatura. A tese principal da Estética da Recepção, de que derivam todas as outras, é de que a obra literária se baseia em um relação dialógica instaurada entre ela e seu público em cada época, para assim efetuar uma história dos efeitos da obra. A partir daí, o caminho para estabelecer uma história literária é identificar os desvios estéticos suscetivos entre o horizonte de expectativas preexistente e a nova obra. Para reconstruir esse horizonte de expectativas é necessário reencontrar as perguntas que a obra propõe resposta.
O horizonte de expectativas da recepção é o pano de fundo para a fruição de qualquer obra. Na verdade, é exatamente na dialética entre confirmação e negação deste horizonte de expectativas que a obra se impõe. A lógica da pergunta e da resposta leva a ser corrigir a idéia de que a história seja apenas uma história de desvios.
Ao contrário de Gadamer, Jauss recusa-se a ver na perenidade dos clássicos algo mais que uma estabilização provisória da dinâmica da recepção. O que para nós é um clássico não foi inicialmente percebido como subtraído ao tempo, mas sim como abrindo um novo horizonte. A obra não é somente a resposta à pergunta anterior, mas também um fonte para novas perguntas. Essas novas perguntas se cristalizam como um novo hábito estético – o que leva Jauss a crer que o valor da obra de arte está na distância entre ela e o horizonte de expectativas de sua época.
Porém, a estética da recepção teve, no encontro com a hermenêutica literária, uma expansão de seus propósitos iniciais – da história da literatura para um estudo acerca da recepção. Para Ricoeur, uma hermenêutica literária deve responder a três questões: Em que sentido o processo primário de compreensão está habilitado a qualificar de estético o objeto da hermenêutica literária? Que acrescenta a exegese reflexionante à compreensão? Que equivalente da pregação, em matéria de exegese bíblica, e do veredicto, em matéria de exegese jurídica, oferece a literatura no plano da aplicabilidade?
O texto pede ao leitor que primeiro entregue-se à compreensão preceptiva, às sugestões de sentido que a Segunda leitura virá a tematizar e que fornecerão a ela um horizonte. Jauss, discute a diferença entre uma primeira leitura, inocente, e a segunda, distanciada tal como dois momentos de fruição – a fruição estética e o entendimento. Enquanto o primeiro momento é mais aberto, e indeterminado, o segundo é determinado, e mais fechado. |
escrito
por
Danilo Fraga
Tintito
Com a revista Fraude à venda em Salvador, apresento a entrevista concedida gentilmente a esta repórter pelo jornalista Tito Rosemberg. A entrevista deveria ter sido parte da matéria "Caçadores da Pauta Perdida", mas tivemos alguns problemas de prazo.
Com vocês, Tito Rosemberg.
Fraude: Você já declarou em outras entrevistas que sempre teve muita vontade de conhecer outras culturas e viajar pelo mundo, ou seja, sempre quis ser um aventureiro. O que o fez querer, além de viver aventuras,contá-las às pessoas?
Tito Rosemberg: Talvez tudo tenha começado com meu pai, que foi jornalista a vida inteira. Ele viajava muito e além dos longos relatos de suas andanças pelo mundo afora ele trazia revistas de outros países, com fotos de lugares interessantes, paisagens diferentes, costumes exóticos, hábitos peculiares. Desde então quis ser jornalista, mas, curiosamente, foi a prática do surf que me fez partir para conhecer o mundo, de preferência os países que tinham boas ondas. Meio simplório mas significativo o bastante para me fazer partir em busca de novas culturas. Viajando percebi que escrevendo e fotografando poderia conseguir mais um reforço no orçamento, já que vivia de profissões alternativas que me permitiam trabalhar no estrangeiro sem os documentos necessários para tal. No meu site (www.titorosemberg.com)publico um currículo que relaciona estas tantas profissões que exerci. Também me senti sempre um contador de histórias, já que em outros países eu também era perguntado pelos hábitos dos brasileiros. Assim comecei a fazer este intercâmbio de histórias. Viajar me trouxe tantos conhecimentos que minha alma curiosa não conseguia somente ficar acumulando experiências, e contá-las aos outros tornou-se quase uma compulsão.
Fraude: Você acha que jornalismo é, antes de tudo, aventura?
TR:Com certeza! Pelo menos para mim! Já aos 17 anos eu trabalhava nas revistas Manchete e Fatos & Fotos, hoje extintas, e como foca iniciei na cobertura do golpe de 64, com pancadaria nas ruas e bombas de gás lacrimogêneo, um verdadeiro batismo de fogo. Nesta época, acompanhando os eventos no Rio de Janeiro percebi que o que me
motivava era estar na frente dos acontecimentos e não saber deles no
noticiário, pré-digeridos pela interpretação de outra pessoa. Mas nem
todos os jornalistas são assim. Numa revista de automóveis notei que
poucos jornalistas gostavam de testar os carros, quase sempre
situações de calor e desconforto, preferindo produzir na redação,
fresca e previsível, com o cafezinho logo ali do lado. Numa revista
de viagens encontrei jornalistas que detestavam viajar, e lá
trabalhavam só porque foi o emprego que conseguiram. Quando queriam
fazer uma reportagem que envolvesse sair de sua cidade era sobre um
destes esterilizados e irritantes navios de cruzeiro. Eu nem sei
direito se sou um jornalista de viagem ou um viajante jornalista, de
tanto que gosto de estar na estrada, num país desconhecido, como no
início deste ano nas montanhas do Laos e do Vietnã, no sudeste
asiático. Até hoje sou um menino travesso: adoro estar longe de casa.
Fraude: Os jornalistas investigativos ñ viajam pelo mundo, mas enfrentam outros perigos a nível local. Você acha que eles também podem ser considerados aventureiros?
TR: Sem dúvida alguma! O jornalista investigativo é um verdadeiro Indiana Jones! Até os anos 90 eu só atuava nesta área e adorava. Me sentia uma espécie de corregedor social. Tinha a nítida sensação de que ajudava o país expondo os cidadãos que promovem o caos social. Descobrir escândalos que sacrificam a saúde financeira do país,
corruptos que levam comunidades à miséria, políticos que fazem
tramóias é uma deliciosa mistura de Sherlock Holmes com o Zorro. Pena
que tantos tombem no exercício da profissão, já que o Brasil é um
Iraque no quintal. No Rio de Janeiro morre mais gente do que no
conflito entre judeus e palestinos no Oriente Médio. Imagine ser
jornalista num lugar destes! E há que se lembrar que o Brasil é, de
acordo com a organização “Repórteres Sem Fronteiras” um dos lugares
mais perigosos do mundo para exercer o jornalismo.
Fraude: A que espécie de perigos você já se expôs em busca de uma reportagem?
TR: Eu fiz toda a cobertura da captura de um famoso bandido os anos 60, o “Cara de Cavalo”. Foi uma loucura! Quando a polícia o achou num barraco do subúrbio o tiroteio foi impressionante, acabando com o
bandido morto e nós da debaixo do carro da reportagem nos protegendo
das balas. Já tive em situações semelhantes nos protestos contra o
golpe em 64, quando na Cinelândia, no centro do Rio, tive que me
esconder embaixo de carros para me proteger das balas da polícia.
Cobrindo os movimentos estudantis de 68 também corri de bala e gases
lacrimogêneos. Na Libéria, no oeste da África fui acusado de espião
americano e preso, mas mesmo solto fui obrigado a sair do país. Me
lembro de ficar aterrorizado em muitas situações, como fazendo uma
reportagem sobre o campeão brasileiro de acrobacias aéreas em
planador, onde quase desmaiei durante algumas manobras radicais. Em
Roraima, fazendo um matéria sobre as relações do garimpo de ouro com o
tráfico de cocaína tive que me esconder no banheiro do aeroporto para
esperar o vôo longe do alcance de garimpeiros que queriam me agredir.
Eu adoro o jornalismo investigativo. Quando fui morar em Búzios, e
notando que o único jornal local falava só dos chiques e famosos que
freqüentavam a cidade, criei e era editor do jornal “O Buziano”,
dedicado principalmente às questões do meio ambiente e da cultura
local oprimida pelo “jet-set”. Logo comecei a expor a corrupção dos
empresários do ramo imobiliário e dos políticos locais e por isso
sofri diversas ameaças, inclusive de morte. Nem dormia direito. Depois
de sofrer no paraíso, que era como eu me sentia morando em Búzios e
nem indo à praia, em 96 preferi partir de volta às estradas. E mesmo
que hoje eu me dedique exclusivamente ao jornalismo de viagem, nunca
estou em excrecências tipo “resorts”, preferindo o deserto do
Marrocos, a instável Libéria, ou de mochila pelo sudeste asiático.
Emoção faz bem à saúde. Acho que combato o colesterol e a
arterioesclerose com uma vida instável, imprevisivel e muita estrada
na veia.
Fraude: Qual é o jornalista que mais admira e por que?
TR: Nem preciso pensar muito! Meu gurú é o falecido Barbosa Lima
Sobrinho, porque aos 102 anos de idade, depois de uma vida inteira
dedicada ao melhoramento das condições sociais do Brasil ainda ia a pé
trabalhar na Associação Brasileira de Imprensa, da qual era
presidente, e ainda tinha lucidez para escrever alguns dos melhores
artigos sobre a política e a sociedade brasileira. O Washington Novaes
foi meu ídolo nos áureos tempos da TV Manchete, quando ele fez
documentários preciosos sobre os índios brasileiros. Hoje tem gente
muito boa, como o Caco Barcelos, que continua produzindo luxo
jornalístico mesmo trabalhando para uma empresa que não lhe oferece as
melhores oportunidades. Se ele fosse francês ou inglês já teria seu
próprio programa e seria um personagem popular no país todo.
Fraude: Você se recorda de algum personagem que representasse na cultura pop o ideal de jornalismo que lhe marcou? Qual e por que?
TR: Não tenho assim definido um personagem definitivo, mas apesar de tornar-se famoso pelo que fazia quando “era o outro”, o repórter Clark Kent do Planeta Diário (DC Comics) que transformava-se no Super-Homem era um dos ídolos da minha juventude. Na vida real
aparentemente um sujeito inseguro e desajeitado, Clark Kent fazia o
diabo quando incorporava o Super Homem. Mas Clark era acima de tudo
um cara honesto, modesto e humilde, qualidades que fazem muita falta
no Brasil de hoje.
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escrito
por
Camilla Costa
RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa (tomo 1); tradução Contança Marcondes Cesar – Campinas, SP: Papirus, 1994.
3. Tempo e Narrativa: A tríplice mimese
Depois de percorrer os textos de Santo Agostinho e Aristóteles nos dois primeiros capítulos, Ricoeur pretende atar nesse capítulo as duas discussões para comprovar a hipótese base de Tempo e Narrativa – que existe uma correlação entre a atividade de narrar uma história e o caráter temporal da experiência humana. Correlação esta não meramente acidental, mas se que apresentaria de uma forma de necessidade transcultural. Para Ricoeur, “o tempo torna-se tempo humano na medida em que é articulado de um modo narrativo, e a narrativa atinge seu pleno significado quando se torna um condição da existência temporal” (Ricoeur, 1997 p.85).
A conjunção do conceito de temporalidade de Sto. Agostinho e as idéias de Aristóteles sobre o enredo dá espaço para pensar a mimese como um processo dinânimo e não mais como um conceito estático de imitação que restringiu toda a investigação sobre o discurso representativo. Na verdade, Ricoeur condena qualquer atitude hermética diante da narrativa, para ele a linguagem desde sempre se projeta para fora, para o receptor. Daí a contraposição entre a semiótica e a hermenêutica.
Para uma semiótica, o único conceito operatório permanece, o texto literário. Uma hermenêutica, em compensação, preocupa-se em reconstruir arco inteiro das operações pelas quais a experiência prática se dá obras, autores, e leitores. Ela não se limita a colocar mimese II entre mimese I e mimese III. Ela quer caracterizar mimese II por sua função de mediação. O desafio é pois o processo concreto pelo qual a configuração textual faz a mediação entre a prefiguração do campo prático e sua refiguração pela recepção da obra. (Ricoeur, 1997 p.86)
A mímese criativa é ampliada por Ricoeur para uma teoria tripartida da capacidade humana de figuração. Tomando como fio condutor a poética de Aristóteles para ilustrar os três momentos de mimese – a prefiguração, a configuração e a refiguração – Ricoeur denomina as etapas como Mimese I, II e III. A mimese II, que foi tratada na Poética como tessitura da intriga, resulta de sua posição intermediária entre as outras e tem a sua jusante a prefiguração do mundo vivido e a sua montante a refiguração desse mundo pelo leitor. Para Ricoeur, construir a relação entre esses três modos miméticos significa construir a relação entre tempo e narrativa. Ao se considerar o papel mediador da mimese II, a característica temporal do texto aflora. O papel mediador do tempo na tessitura da intriga, entre os aspectos temporais prefigurados no campo prática e a refiguração de nossa experiência temporal por esse tempo narrado.
Mimese I
Por mais inovadora que uma narrativa possa parecer, sua composição está enraizada na pré-compreensão do mundo e da ação. A ação, em si, já apresenta a capacidade, Ricoeur chega a dizer necessidade, de ser narrada e por isso, não se pode pensar em narrativa sem antes pensar no estatuto da ação. Nesse ponto, Ricoeur delimita três traços da ação que possibilitam sua narração: estrutural, simbólico e temporal.
Em um primeiro momento, é necessário diferenciar estruturalmente o campo da ação do campo do movimento físico. Uma ação pressupõe um fim, um agente, um motivo, não se configurando como um mero acontecimento físico. A relação com a narrativa se dá por uma conjunção entre a compreensão prática e a compreensão narrativa do leitor e não por uma compreensão direta do fato. Assim, compreender uma história é compreender ao mesmo tempo a linguagem do fazer e a tradição cultural que precede a intriga.
O segundo traço a ser demarcado são os recursos sígnicos. A ação pode ser narrada por que ela tem, em sua essência, uma mediação simbólica. Antes mesmo de ser configurada em texto, a mediação simbólica tem uma textura que confere à ação uma primeira legibilidade. Ricoeur chega a chamar o conjunto da ação de um quase-texto, na medida que os símbolos fornecem as regras de significação em função das quais a ação pode ser interpretada.
Porém, a compreensão da ação não se limita a uma familiaridade preliminar com a trama conceitual da ação e sua mediação simbólica. Um ponto ainda mais primordial deve ser levado em conta: o reconhecimento das estruturas temporais que configuram a narração.
Dessa forma, o sentido da mimese I é pre-compreender o que ocorre na ação humana, sua semântica, significação e temporalidade. “É sobre essa pré-compreensão, comum ao poeta e a seu leitor, que se ergue a tessitura da intriga e, com ela, a mimética textual e literária” (Ricoeur, 1997 p.101). Até porque, se não fosse assim, a narrativa seria incompreensível.
Mimese II
A mimese II (intriga) é a própria configuração narrativa. É o que os semiólogos procuram estudar quando dizem fazer uma análise poética ou textual. Porém, como já foi dito antes, ao invés de se isolar a configuração narrativa, Ricoeur enxerga na mimese II uma função de mediação entre a mimese I e III. Essa função de mediação consiste no fato de que a intriga exerce no campo textual um ponto de encontro entre a pre-compreensão e a pós-compreensão, que se dá na leitura. Para Ricoeur a intriga é mediadora por 3 motivos.
Em primeiro lugar, ela faz a mediação entre acontecimentos individuais e a história como um todo. Ela extrai uma história plausível de uma série de acontecimentos que não têm, necessariamente, ligação um com os outros. Lembrando Aristóteles, uma história deve ser mais que uma série de acontecimentos narrados um depois do outro, os acontecimentos devem existir um por causa do outro. É aí que entra a mimese II, que transforma uma simples sucessão em uma configuração.
A tessitura da intriga é mediadora também pelo fato de costurar juntos fatores tão heterogêneos quanto agentes, fins, meios, interações, etc. Para Ricoeur, a narrativa faz aparecer uma ordem sintagmática de um quadro paradigmático. Por fim, a intriga é mediadora por ter seus caracteres temporais próprios. Para Ricoeur, a tessitura da intriga ao mesmo tempo reflete os paradigmas agostiniados e os resolve – se não de maneira teórica, os resolve de maneira poética. É na narrativa que a intentio vence a distentio. Seguir uma história é compreender como e porque episódios sucessivos conduziram a essa conclusão, que se não é real, deve ser verossímil.
Para terminar a discussão acerca da mimese II, Ricoeur se dispõe a tratar de dois temas importantes para a continuidade entre a mimese II e a III: esquematização e tradicionalismo. É dessa dicotomia entre inovação e sedimentação que Ricoeur conceitua a mimese. Se a tessitura da intriga engendra uma inteligibilidade mista entre o pensamento e a intuição, é certo que uma tradição se consolida através do jogo entre inovação e sedimentação. A inovação permanece uma conduta governada por regras, a inovação não nasce do nada. Ela se liga, de alguma forma, aos paradigmas da tradição.
Mimese III
Para Ricoeur, a narrativa só alcança seu sentido pleno quando é “restituída ao tempo do agir e padecer em mimese III”. Ou seja, a narrativa só encontra seu significado quando é experimentada e atualizada. É no leitor – ouvinte, telespectador – que se conclui o percurso da mimese. A mimese III marca a intercessão entre o mundo do texto e o mundo do leitor.
É o ato de ler que acompanha a configuração da narrativa e atualiza sua capacidade de ser seguida. A obra escrita é um esboço para a leitura, o texto comporta buracos a serem preenchidos. O ato da leitura é o operador que conjuga a mimese I, II e III. “O texto só se torna texto na interação entre texto e leitor” (Ricoeur, 1997 p.118).
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escrito
por
Danilo Fraga
O mais novo hype de 2001
Donnie Darko é um menino esquizofrênico que conversava com Frank, um coelho/amigo imaginário gigante de 1,80 m. O filme consegue transcender barreiras dos géneros, apesar de poder ser chamado de ficção científica. Há elementos de filmes High School, um pouco de romance, um pouco de thriller e horror. A trilha sonora inclui clássicos dos anos 80, como Echo & the bunnymen ("The Killing Moon"), Tears for fears ("Head over heels"), Duran Duran ("Notorious"), Joy Division ("Love will tear us apart"), The Church ("Under the milk way"), além do sensacional cover de "Mad World", do Tears for fears, por Gary Jules.