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tou pensando em por um "anúncio" no peteleco

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Em cartaz:

THE TALENTED MISS RIPLEY

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odeio:

pessoas-que-se-acham-criativas-o-suficiente-para-criar-palavras-compostas-gigantescas-para-definir-uma-pessoa-ou-um-tipo-de-comportamento-que-se-enquadra-num-cliche-observavel-so'-porque-esta'-na-moda
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* Mensagem Psicografada de Gandalf *

Let´s not mourn over the breaking of the fellowship. It´s members shall follow their separate paths but they shall meet in the end.
The ring must be destroyed.



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pisando em ovos 2

Dessa vez os meus!!!
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Gente esse talvez nao esteja pronto. Apesar de eu achar que nao tem mais o que contar. Dalita e minha prima, mas quase nada do conto existe de verdade.

Dalita

Quando Dalita nasceu o médico disse que ela seria ou cega, ou muda, ou estúpida... Bem, com certeza ela não ficou nem cega nem muda. Alguns parentes visitaram sua mãe na maternidade e mostraram alegria no rosto, outros não foram por não saber fingir tão bem. Na verdade ninguém festejou seu nascimento. O pai, que havia prometido por-lhe com o nome de sua avó, mudou de idéia na ultima hora e escolheu Dalita. Porque Dalita? Porque nunca houve nenhuma outra Dalita no mundo, ele não queria manchar a memória de ninguém.
Dalita era, na verdade, um tipo de Macabéa em miniatura, mesmo que em toda sua insignificante vida nunca tenha tido a menor idéia de quem seja Macabéa. Sempre foi feia, estabanada, gorda e estúpida, além de ser um pouco surda do ouvido direito. Sua mente primitiva torna a tentativa de lhe dar qualquer densidade um desafio considerável. Chego a ter quase certeza de que ela pouco raciocinava. Na verdade, quase nada a separava de um cachorro bem treinado. Certo é que o único sentimento que povoava sua mente insipiente era a inveja. Sentia mesmo muita inveja de sua irmã mais nova, mais bonita, mais magra, mais delicada, muito mais inteligente (apesar dos dois anos a menos). Com certeza ela era amada por todos.
Sua mãe, apesar de tudo, algumas vezes achou que sentia algo mais que indiferença por Dalita (santa mulher!). Às vezes até achava gostar um pouco dela, mas depois mudava de idéia. Um dia, na tentativa de dar alguma alegria àquele subproduto de um feto mal-formado, a mãe lhe trouxe uma edição de bolso de Pinóquio - muito mal ilustrada e impressa em papel de péssima qualidade. Foi o dia mais feliz da quase-vida de Dalita. Aqueles poucos minutos em que sua mãe lia as paginas da história nunca saíram de sua cabeça. No interior mais profundo de seu cérebro, Dalita parecia se encantar com o fato de um boneco de madeira mal-acabado poder se tornar um ser-humano de verdade. Fantástico! Será que um dia ela poderia um fazer o mesmo?
Assim Dalita passou a “ler” o livro todos os dias, o tempo todo. A palavra ler aparece aqui como apenas uma metáfora, já que Dalita nunca aprendeu realmente a ler. Em toda sua infância nunca conseguiu diferenciar um “a” de um “o” e mesmo muitos anos mais tarde, quando já conseguia juntar sílabas em palavras, raramente tirava delas qualquer sentido. Desse modo singular, Dalita “lia”, e “relia” a história de Pinóquio. Isso a fazia quase-feliz, quase-lembrando do dia mais feliz de sua quase-vida. Mas, como pouco a pouco ia esquecendo a história que sua mãe havia lhe contado, preenchia as partes que faltavam com a sua “imaginação”. De novo apenas uma metáfora.
Talvez seus “contos” fizessem algum sucesso em rodas mais arrojadas. Ela não seguia nenhuma regra, nem de estilo, nem de gramática e nem mesmo de física. Na verdade suas estórias não faziam sentido algum fora de sua mente deturpada. Uma surrealista em potencial, diriam uns. Passou toda sua vida imaginando estórias para Pinóquio. Em uma delas Pinóquio convidava a Baleia para jantar (o que é mesmo uma Baleia?).
Em sua favorita, Pinóquio matava Gepeto por o ter construído com tal displicência.

talvez continue algum dia...

Danilo Fraga
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Outro conto

Seqüestro relâmpago 2

Deitado no porta-malas de seu carro ele se sentia estranhamente confortável. Incrível como o que falam na propaganda realmente e verdade. Nunca acreditou nos publicitários, mas tinha que dar o braço a torcer. Aquele ambiente escuro e fechado lhe dava a tranqüilidade que procurou em mais de 10 anos de terapia, se sentia protegido do stress da vida. Pela primeira vez não tinha o controle de tudo. Não precisava decidir para onde dirigir, não tinha que se preocupar com horário e nem com seus compromissos. Alem de tudo, aquela musica do David Bowie o fazia lembrar de sua mulher, ex-mulher na verdade. “Os marginais de hoje em dia tem bom gosto”.
Toda sua vida tinha se achado um fracasso. Naquele momento finalmente descobriu a verdade. Agora tinha certeza, era realmente um fracasso. Fracassou com seus pais (apesar de mandar dinheiro todo mês), com sua mulher – na verdade ex-mulher – e com seus filhos (apesar de mandar dinheiro todo mês). Naquele momento – “Talvez meus últimos minutos de vida” – pode refletir sobre sua vida. Depois de anos de terapia para lidar com as decepções de sua vida, achava que estava curado. Dizem que viver situações limite nos faz pensar. Talvez se fosse seqüestrado mais vezes, faria ao que prestasse na vida. Decidiu ser um homem melhor. Passar mais tempo com os filhos e tentar reatar com sua mulher – ou ex-mulher.
Na hora em que o carro parou e porta-malas se abriu, ele desceu e tirou de bom-grado todo dinheiro de sua conta. Sentia-se feliz. “Eles mereceram”. Na verdade alguns milhares de reais a menos não faziam muita diferença. Foi para o primeiro orelhão e fez 3 ligações. A primeira para pedir que o buscassem, a segunda para mandar sustar os cheques e a terceira para um amigo. Pediu para ele arranjar uma boa prostituta. Para comemorar sua nova fase.

Danilo Fraga

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Direitos e deveres do Jovem Metido a Intelectual

Primeiro Capitulo: Se achar superior a tudo e a todos
O jovem metido a intelectual tem o dever de ridicularizar toda espécie de babaquice que não seja feita por ele mesmo.
Deve também editar um jornal ou fanzine com palavras difíceis e piadas internas que ninguém entende
Têm o assegurado o direito de nunca, mas nunca, explicar uma piada só porque o ouvinte não a entendeu. Não temos culpa dele não ter competência cultural suficiente para acompanhar o raciocínio
O jovem metido a intelectual tem o dever de falar alto sobre algum assunto acima da compreensão de pobres mortais, como hermeneutica ou Filosofia Medieval.
Deve assistir todos filmes alemães e franceses antigos e achar o máximo. Caso não entenda, deve ler a sua respectiva crítica e repetir palavra por palavra.

Jovens metidos a intelectuais de todo mundo uni-vos
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Se até o papa é, porque Che não pode ser pop?


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"Em lugar de perguntar o que veio primeiro, o ovo ou a galinha, começou-se a desconfiar que a galinha foi idéia do ovo para a produção de mais ovos" Marshall Mcluhan
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Mais uma contribuição para esse, já instituido, blog literário

Se Maomé não vai à montanha...

Não comia gordura para não ter infarto, não tomava Coca-Cola para não ter gastrite. Só água mineral e comida macrobiótica. Não falava no celular para não pegar câncer no cérebro, não mandava cartas porque tinha nojo de lamber o selo. Nunca dormiu ao ar livre por causa da friagem, nunca se bronzeou por causa do câncer de pele. Usava protetor solar nível 40 toda vez que saia de casa.
Quando era criança, sua mãe o ensinou a lavar as mão sempre que tocasse em algo sujo. Era advogado, como podia evitar? Ia para a missa e se confessava todo dia. Lavava as mão pelo menos 40 vezes por dia. Tentava ser limpo, com certeza. Beijou algumas vezes, é claro, e até fez sexo. Somente depois dos dois tomarem um banho demorado. Nunca transou sem camisinha porque tinha medo de pegar alguma doença, nunca foi pai porque nunca transou sem camisinha.

Gostava de ler a Bíblia e as bulas de remédios.

Hoje olhou para os dois lados antes de atravessar a rua, mas morreu atropelado por um caminhão de lixo.

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Uma pequena incursão no mundo da literatura. Espero contar com os comentários (e a condescendência) de todos vocês.

Seqüestro relâmpago

Vitima de seqüestro relâmpago. Logo em seu dia de azar. Um dos assaltantes deixou cair a máscara e ele viu em sua frente o porteiro de seu prédio. Maldito invejoso! Pois bem, agora se via em algum lugar escuro e deserto. Estava chovendo, mas até aí tudo bem. O que mais o incomodava era seu reumatismo, além do revólver encostado em sua nuca.
“Diga suas últimas palavras, meu chefe”
“Nem aqui fico livre de clichês” pensou no momento em que algum milagre distraiu os assaltantes, incluindo Seu Roberto da portaria.
Em questão de segundos ele utilizaria toda macheza que economizou por toda sua vida. Um bom negócio! Sair da posição incomoda em que se encontrava e correr rumo a liberdade. Com alguns chutes e socos derrubar todos e correr. Correr como um condenado. Se lembrava de quando era o ultimo a ser escolhido no futebol da escola. “Ah, se me vissem agora!” Correu. Correu e correu. Correu até avistar uma pequena casa. Ali, no meio do nada. Que azar que nada, aquele era seu dia de sorte. Poucos metros os separavam de sua confortável rotina. No sprint final, um sorriso largo aparecia em seu rosto.
Abriu a porta.
Mas a maçaneta fez um click estranho, assustadoramente parecido com um 38. Ele logo percebeu, já que não perdia um filme de ação no cinema. Era um grande fã de Bruce Willis. "Talvez esteja vendo filmes demais." pensou quando lembrou que ainda estava naquela posição incomoda.
Depois outro barulho estranho. Esse ele nunca tinha ouvido. Mais profundo que nos filmes.
É incrível como o pensamento voa rápido. O chato é que nós só voamos quando é tarde demais, quando nossas asas felpudas e bregas crescem. Quer dizer, se formos bonzinhos.

Danilo Fraga

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Bem, ele se foi!
Mas ainda pode ser visto num cinema pertinho de voce!

by Adriano Tosta (e um pouquinho de Danilo tb)

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